Convocação

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Há algum tempo (algum mesmo; não tanto, nem tão pouco para que eu não me envergonhe de postar a respeito só agora) tive a honra de participar da feitura de A Última Edição, livro de contos organizado pelo Felipe Rodrigues (que assina só com o sobrenome), com textos dele e de mais uma penca de gente talentosa – Rogerio Brugnera, Sérgio Ferrari, Fernando A. e Lucas Formaglio. À minha atuação como revisora rabiosa, apoiadora & escriba de orelha foi dada a alcunha de “coordenação editorial”. Achei bonito.

Logicamente sou suspeitíssima, mas depois de alguns (muitos) dias laboriosos e noites em claro, finalmente pegar o livro nas mãos e ver o resultado foi incrível. Não só por nós – e aí incluo nossa diagramadora extraordinaire, Kellen Carvalho (vulgo VELHA), que assina o projeto gráfico, e nosso ilustríssimo ilustrador, Vinicius Silva – e por acreditar de verdade que fizemos um bom trabalho. Acima de tudo, foi bacana ver uma publicação 100% independente, reunindo novos ficcionistas, sair do papel (ou ir para; desculpem, não resisti). E este post é uma convocação para que vocês a conheçam também. Venham acabar com “A Última Edição”!

O livro está disponível na loja virtual. O preço? R$ 35, com frete grátis.

Alguns trechos:

“Dizem que as pessoas que param pra fumar sozinhas estão sempre esperando por algo. Eu vejo muitas pessoas esperando por algo nas janelas dos apartamentos, eu vejo as pessoas esperando por algo ao lado das bancas de jornal e ao lado do metrô e, às vezes, até mesmo sentadas no chão, despedaçadas na rua, ansiosas nos quintais, lavando seus carros ou vagando abaixo das marquises do centro.”

(“Filme de Rola”, Rodrigues)

 

Como será sair do banho e se deparar com um buraco enorme no teto e um sujeito de pijamas com a perna quebrada sentado no tapete da sala? Se eu caísse no apartamento do velho escritor, ele também ficaria espantado. Talvez isso fosse bom pra ele, desse-lhe a ideia de voltar a escrever um conto, começar de novo.

(“Delírio de um condômino em férias”, Lucas Formaglio)

 

“O caso é que Vanderlático Galáctico Soares Barbosa carregava nos genes a herança paternal de muito apreço pelas coisas do universo. De longe notavam a peculiaridade espacial de sua pessoa. Numa Canoa Quebrada isolada naturalmente da corrida tecnológica pós-modernista, a maresia ia de encontro ao baixinho sardento, marrento, de cabelo mirrado e óculos foscos”. (“Por causa do mini buraco negro, Lenise virou Linese”, Sérgio Ferrari)

 

“ele ajudou o irmão a arrumar trabalho e que salió de una mierda a caer en otro un poco mejor porque o que o irmão fazia lá era dar a bunda pra americano maricas e comer americano mais maricas mas acontece que com Fidel não existe comunista viado e os viados que ficaram foram sendo perseguidos e foram sendo presos e foram sendo mortos e os que não ficaram se foram”. (“Encontro com Fidel”, Rogerio Brugnera)

 

“Os impulsos de antes, que flertavam com a obsessão do homem pela carnificina – trazendo imagens de montes de corpos amontoados e cidades completamente tomadas pelo fogo, foram aos poucos se transformando pela batida ritmada dos pingos que caíam das folhas às poças d’água”. (“Musas Marcianas Selvagens”, Fernando A.)

 

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