Sobre a arte

Padrão

Poema velho, rabiscado num caderno que achei aqui. Podem me chamar de antiguinha, eu deixo.

Arte, ciência exata
da medida da palavra
do risco na tela
da poesia ordinária

Refúgio dos picaretas
trôpega, mambembe

Governada pela crítica
exposta nua, coitada

em franca decadência
nas Bienais

Olhos tristes para quem contempla
a sua morte

Lenta tal qual a de um cão vadio
Em nome dela
Amarrado num poste

Esmorecem frente às antigas glórias
dos anais da sua História

Arte que se diz arte
impostora!

Irmã gêmea maquiada
vilã de telenovela

Toma o lugar desta outra
recatada e peluda

Que se encolhe de vergonha

Arte, arte, pobre desgraçada
devassada, revirada
estuprada, rebaixada

Todos hoje exibem a sua joia

Arte, arte, dizem por toda a parte
arte maldita, tão transfigurada

Que hoje se aceita
– até mesmo –
que um poema torto
integre a sua classe.

Na dúvida, não use o urinol

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3 comentários sobre “Sobre a arte

  1. ”O museu é o presídio da arte” frase retirada do El Arte, quadrinho argentino que ganhei de Botta, ahã, você mesmo. Preciso te emprestar, são muito boas as reflexões do cara sobre arte… E por falar nisso, amei o seu poema velho de olhos tristes. Agora chu-pa LIMÃO!! hehehe

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