Teatro rock’n’roll

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Quartos de Hotel: Danielle Cabral, Francisco Eldo Mendes e Katiana Rangel

Confesso que não era muito fã de teatro até pouco tempo, muito menos entendedora. O Hélio Barcellos Jr., figura ativa no cenário teatral portoalegrense, jornalista especializado na área e, por um período, meu editor na editoria de cultura do Jornal do Comércio, ficava possuído com isso. Ele não entendia como eu podia não gostar, e pior, não entender nada sobre teatro. Por essa mesma razão deletei aqui do blog há um tempo um post em que comentava um musical.

Bem, continuo não sendo fã ou entendida no assunto. Mas acho que o Hélio hoje, se estivesse entre nós – tristemente ele nos deixou, em março do ano passado – sentiria um tantinho de orgulho. O teatro vem me conquistando. Tenho visto cada vez mais peças, e o motivo pra isso veio de uma forma bastante inesperada, através da música. Em setembro, a Tetê Martins, escritora e amigona minha e do Hélio, me convidou um dia para ver um show da Saco de Ratos, banda de blues e rock’n’roll do Mário Bortolotto. E eu pirei. Comecei a ler mais e mais textos dele. A ir direto nos shows, e a freqüentar a Roosevelt. A pira foi tamanha que até whisky, uma renomada preferência alcoólica do Mário, eu comecei a beber. Enfim, virei fã confessa.

Mas até março desse ano não tinha tido a oportunidade de ver uma peça dele. Felizmente, com a estreia do projeto “Cemitério de Automóveis 30 Anos – Artes do Subterrâneo”, mostra comemorativa do grupo do Mário, pude remediar isso. De lá pra cá já foram encenadas “Medusa de Rayban”, “Diário das Crianças do Velho Quarteirão”, “Leila Baby”, “Música para Ninar Dinossauros” e “Quartos de Hotel”.

Dividida entre Porto Alegre e São Paulo, só pude conferir a primeira e a última. E embora as peças sejam bastante diferentes entre si – “Medusa de Rayban” explora o universo de dois assassinos profissionais, Johnny Walker e Jack Daniels, “Quartos de Hotel” apresenta histórias de diversos personagens ambientadas em, bem, quartos de hotel – nas duas vezes saí do teatro com a mesma sensação. Gosto do teatro do Mário porque é rock’n’roll. Tem a mesma pegada dos contos e das letras dele, da rua, dessa gente que passa as madrugadas no bar, do Bukowski, do Kerouac. Ele mesmo escreveu há pouco no perfil dele no Facebook: “Eu venho brigando com o teatro há mais de 30 anos. Quando eu digo que venho “brigando” é porque é isso mesmo. Eu sempre quis fazer rock and roll. E na época que comecei a fazer teatro, eu achei que podia fazer uma espécie de teatro rock and roll. Só por isso eu comecei a fazer teatro. Por causa do rock and roll. Então de vez em quando eu brigo com o teatro e fico só no rock and roll”.

E então, em função disso, ele passou dois anos sem escrever uma peça. “Quartos de Hotel” é o primeiro texto dele do gênero desde 2010, e o primeiro dos três inéditos que vão ser encenados até o fim da mostra. Na verdade, escrevi tudo isso (pra quem ainda tá lendo) só pra dizer que esse é o último final de semana da peça no Teatro Estação Caneca. E que quem estiver em São Paulo e tiver a oportunidade deve conferir. Mesmo que (a princípio) não goste de teatro.

Sexta, sábado e domingo, às 21h, no Teatro Estação Caneca (Rua Frei Caneca, 384). Esquema “pague o quanto quiser”. “Quartos de Hotel” – Texto e Direção: Mário Bortolotto / Elenco: Carca Rah, Danielle Cabral, Francisco Eldo Mendes, Erika Puga, Walter Figueiredo e Katiana Rangel. Operação Técnica: Marcelo Montenegro.

PS: Amanhã, depois da peça (às 23h30), também tem show da Saco de Ratos no Estação Caneca. Nem preciso dizer que recomendo.

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