Cartas de Aniversário

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Ted Hughes e Sylvia Plath

O monólogo aqui no blog parece recentemente ter se desviado para o amor. Não só o amor em si, mas o amor versus literatura, aquele que não se concretiza por ela, pela ansiedade que sobrecarrega aquele que escreve, o amor na literatura, quando ele é bem ou mal retratado, mas principalmente bem, e nessa linha de pensamento… Bem, nada parece mais natural que encerrar o ano na vida – e no blog – com “Cartas de Aniversário”, de Ted Hughes.

Vocês encontrarão descrições melhores desse volume usando o Google, mas dou uma prévia para explicar meu interesse nele. Lançado em 1998, à sombra de um câncer do autor, o livro era a sua resposta a infinitos ataques de como ele teria sido responsável pela morte de sua mulher, a também poeta Sylvia Plath. Em 1963, ela se deitou no chão da cozinha do seu apartamento e ligou o gás. Quatro anos depois, Assia Wevill, a mulher com quem Hughes foi viver após deixá-la, fez a mesma coisa – antes tirando a vida da sua filha de quatro anos. Esse drama pessoal fez com que Hughes se tornasse uma espécie de alvo preferido das feministas. A morte da segunda mulher lhe garantiu instantaneamente a insígnia – bastante desagradável – de torturador de mulheres. Até que ponto isso é verdade não se sabe, nem é o foco aqui.

Meu interesse no livro deriva do fato de que sou fã de Sylvia, e depois de um ano bastante desapontador no que diz respeito ao amor (sim, bem perto desses pulmões pretos também bate um coração), me vi impelida a investigar mais a fundo um dos amores mais interessantes da literatura. Ver a versão de Hughes dos fatos, e principalmente conferir a literatura que espremeu da sua convivência com Sylvia Plath. Confesso que nunca antes havia me detido na sua obra poética, e foi uma grata surpresa. Talvez a melhor delas tenha sido “Red”, que encerra “Cartas de Aniversário”. Só não é o melhor poema sobre ela porque esse lugar é ocupado por “Lady Lazarus”, da própria Sylvia.

Red was your colour.

If not red, then white. But red
Was what you wrapped around you.
Blood-red. Was it blood?
Was it red-ochre, for warming the dead?
Haematite to make immortal
The precious heirloom bones, the family bones.

When you had your way finally
Our room was red. A judgement chamber.
Shut casket for gems. The carpet of blood
Patterned with darkenings, congealments.
The curtains — ruby corduroy blood,
Sheer blood-falls from ceiling to floor.
The cushions the same. The same
Raw carmine along the window-seat.
A throbbing cell. Aztec altar — temple.

Only the bookshelves escaped into whiteness.

And outside the window
Poppies thin and wrinkle-frail
As the skin on blood,
Salvias, that your father named you after,
Like blood lobbing from the gash,
And roses, the heart’s last gouts,
Catastrophic, arterial, doomed.

Your velvet long full skirt, a swathe of blood,
A lavish burgandy.
Your lips a dipped, deep crimson.

You revelled in red.
I felt it raw — like crisp gauze edges
Of a stiffening wound. I could touch
The open vein in it, the crusted gleam.

Everything you painted you painted white
Then splashed it with roses, defeated it,
Leaned over it, dripping roses,
Weeping roses, and more roses,
Then sometimes, among them, a little blue
bird.

Blue was better for you. Blue was wings.
Kingfisher blue silks from San Francisco
Folded your pregnancy
In crucible caresses.
Blue was your kindly spirit — not a ghoul
But electrified, a guardian, thoughtful.

In the pit of red
You hid from the bone-clinic whiteness.

But the jewel you lost was blue.

HUGHES, Ted. Cartas de Aniversário.

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