Novembro 26, 2007

Oposto

Gosto de te ver irritado. Não com raiva, mas irritado, com aquele riso contido que não quer rir. Gosto de discordar de ti, ser teu oposto. Gosto de te ter ao meu lado. Reclamando de tudo e de nada, contrário a tudo que falo. Gosto de ti assim, tão diferente do que eu sou. Gosto de ti alucinado, bêbado, louco. Por vezes sério e compenetrado, me olhando atravessado caso eu rompa o teu silêncio. Gosto de ti mesmo com medo, mesmo quando não digo por ter feito meu escudo dessa frieza rasa. Gosto de ti mesmo quando me abraça, e desarma. Me rende e me faz amar. Gosto de ti apesar dos receios, apesar do ensejo. Lá longe, além do precipício, eu vejo o mar. Gosto tanto de ti que pondero. Sem ti já pressinto um abismo.

Agora eu vou, senão caio. Agora é tarde, não resta dúvida. Eu preciso me jogar.

Novembro 23, 2007

O melhor (?) blog sobre o nada

Isso aqui está ficando meio Seinfeld demais, mas enfim. Por que essa onda de Legião Urbana agora?

Eu ligo a rádio da Sky, Legião Urbana. Vou beber uma ceva, Legião tocando na jukebox do bar. Entro num táxi, ‘Índios’ começa no rádio. Coé?

Até folheei a biografia do Renato Russo que eu tenho para ver se era o aniversário de morte dele. Não é.

Outubro 23, 2007

A pergunta que não quer calar

Por que diabos a indústria alimentícia insiste em socar carne onde carne não deveria estar?

Hoje, degustando (entre muitas aspas) meu Miojo Cremoso sabor cheddar, lendo a embalagem por pura falta do que fazer, descobri que o tempero tem caldo de galinha na composição. Me digam, POR QUÊ?

A questão já me incomoda há algum tempo, quando fui descobrindo pequenos pedaços de bacon em massas congeladas e sopas de pacote. Quanto às massas congeladas, o caso mais emblemático foi o de um rondelle de mussarela com nozes da Massaiola, da linha SABORES DA NATUREZA. Comprei certa de que se tratava de uma linha vegetariana (nenhuma das embalagens acusava carne explicitamente). Quando pus no prato, descobri três simpáticos pedacinhos da (ram, cof) iguaria flutuando no molho. Depois disso, fui notando ingredientes absolutamente desnecessários em macarrões tipo Miojo. O sabor AO SUGO da PASTA PRONTA, por exemplo, leva um tempero sabor picanha.

Me digam: alguma necessidade, nesses casos, da inclusão de carne?

Não estou pintando a Nissin como uma empresa carnívora do mal que deseja enganar o povo vegetariano inocente, vejam bem. O caldo de galinha consta na composição, é só o vegetariano olhar o rótulo para saber o que está comendo. Não se trata de uma sacanagem como fez o McDonald’s, que anunciou como vegetariano um sanduíche cujo molho contém AROMA NATURAL DE FRANGO. E que não digam que não fizeram, porque VEGGIE sempre foi e sempre será diminutivo de VEGETARIAN. *

Normalmente, eu me dou ao trabalho de conferir rótulo por rótulo – o que costuma ser chato, exaustivo e muitas vezes improdutivo. Muitos ingredientes ainda passam, na maioria dos casos por terem tanto origem vegetal quando animal. SÓ QUE ESTOU DE SACO CHEIO.

Costumo sempre afirmar que o abolicionismo é impraticável no mundo de hoje, que a exploração e o consumo de animais estão fortemente enraizados na cultura, etc. Respeito onívoros, muito embora não concorde com o que fazem, muito embora creia que não tenham o direito de fazê-lo (em tese).

O problema é que ignoram as necessidades dos vegetarianos. A indústria alimentícia, o foco aqui, parece não notar a existência de um grupo hoje bastante significativo. A oferta vem crescendo, como o vegetarianismo, mas é insuficiente.

Já prevejo comentários de que deve ser assim mesmo, que vegetarianos são loucos, bando de bichas, etc. Por aqui minha mãe diz que eu invento moda. Reafirmo: estou longe de ser a única, e as empresas estão perdendo muito dinheiro com esse preconceito. Se não desejam criar linhas específicas, que ao menos não promovam o boicote de seus produtos com esses ingredientes dispensáveis. Eu particularmente deixei de comprar várias coisas.

Acorda Massaiola, acorda Nissin, acorda mundo. Não desisti de virar vegan à toa. Não posso mais afirmar que carne é mais ‘visível’. Por favor, não poluam minha massa, meu queijo, os poucos prazeres que a mesa ainda me oferece.

*PS: Não, o McDonald’s não é um dos meus bodes expiatórios favoritos. Prefiro manter distância desse povo que boicota McDonald’s e Coca Cola, mas bebe Fanta com cachaça e fuma Marlboro em passeata.

ERRATA: O rondelle da Massaiola na verdade é da linha Premium, mas recordo de ter tido a mesma experiência com um produto da Sabores da Natureza. Desconfio que tenha sido o sofiotti, mas não tenho certeza.

Outubro 10, 2007

Goodbye, goodbye

São duas e vinte e cinco da manhã. Há cerca de uma hora louvei a noite de sono longa e sóbria, mais de oito horas, difícil por esses dias. Mas não, não consigo. Acordo com a tua gata me arranhando e mordendo inteira, me chamando de cretina. Nos meus sonhos ela fala, me pede atenção, me acusa de crimes que eu não cometi. Sejamos francos, eu não cometi.

A verdade é que tudo mudou de lugar. Tudo perdeu um pouco de cor e eu, que ria imaginando que isso não tinha fim, vi meu amor sair correndo e bater a porta. Eu, que acreditava que ele nunca iria embora, ficaria ali, quietinho, fumando um cigarro enquanto se acalmava vez ou outra, simplesmente se foi. A verdade é que tu mandaste ele embora. Senhor da nossa história, foste tu o responsável. Eu só observei, num desespero lento, ele decidir dar o fora.  Ele já não agüentava mais. Já se roía de agonia, de amargura, de fome poucas vezes saciada. Eu, que tantas vezes me perguntei se tu eras a pior ou a melhor coisa que já tinha me acontecido, finalmente tive certeza.

Depois que ele se foi sobrou muito pouco, quase nada. Uma dorzinha no peito, uma saudade ligeira, uma vontade de sumir. O Vazio foi chegando devagar, pedindo espaço e eu deixei. Abri a porta pra ele entrar, servi uma cerveja e ele resolveu ficar. Não é um bom hóspede. Faz barulho demais, não me deixa dormir, não me deixa esquecer que eu já conheci uma vida da qual ele não fazia parte. Não me deixa esquecer que outro ocupava o seu lugar. É ciumento, o Vazio.

De qualquer forma, já me acostumei a a ele. De vez em quando grito, imploro que cale a boca, e ele pára. Continua ali, mas não fala. Não por muito tempo. Ele sabe que daqui a pouco vai embora, e então se inquieta. Sabe que está perdendo espaço. Outro Amor bate à minha porta, e eu preciso atendê-lo. Não posso deixar que vá embora. Não posso deixar que canse de me esperar, dessa vez inteira.

Já são quatro horas. Escrevo-te apenas por esse costume, essa tradição mórbida de falar qualquer coisa que me passe pela cabeça. Perdoa a falta de objetividade, mas são apenas memórias. Dispensam clareza, meio ou mensagem. A bem da verdade, nosso fim reside no silêncio. Então adeus, querido, adeus para não dizer.

A madrugada já vai longe, e eu também.

Outubro 10, 2007

Um momento, por favor

Estaremos interrompendo (gerúndio, acho digno) a programação normal, ou a falta dela, para um serviço de utilidade pública. Melhor dizendo, uma descaradíssima pagação de pau. Melhor ainda, um apelo. Ouçam este homem.

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Connor Oberst, gênio.

Sim, ouvi o Cassadaga meses após ter feito o download. Arrependo-me profundamente.

Setembro 11, 2007

11/09

Em momento bem oportuno, me ocorre: alguém mais notou que Osama andou pintando a barba? 

É sério, reparem:

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No dito novo vídeo, 2007    

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1998

 O que ele usou, meninas? Eu chuto Grecin 2000.

 PS: Ah sim, também resta saber se o vídeo é falso e se hoje alguma coisa fede lá pro norte, mas são detalhes.

Agosto 30, 2007

A propósito

Como ficou a Pousada do Sandi com a chegada do DVD?

 Até hoje só achei um com o comercial deles.

Agosto 30, 2007

Docinho indiano

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Há tempos queria testar alguma receita da Isis, que organiza e mantém a comunidade Receitas Éticas no Orkut. Atualmente, é a melhor fonte de receitas vegetarianas e veganas por lá*. A Receitas vegan/vegetarianas morreu com a falta de senso de alguns membros e o indíce de receitas migrou para a nova comunidade. Enfim, recomendo muito. É bem organizada e completa, embora algumas receitas deixem a desejar nos detalhes (medidas e preparo imprecisos, principalmente).

Como minha mãe ensinou que receita não se segue à risca, resolvi usar o bom senso e os resultados foram no mínimo razoáveis. A receita escolhida, obviamente, foi a de docinho indiano. É bem similar a de branquinho, também conhecido como brigadeiro branco e beijinho. Ei-la:

INDIANO

1 lata de leite condensado
1 lata de nozes moídas

1 côco ralado
2 colheres de manteiga

Misture tudo e leve ao fogo para apurar.
Faça bolinhas, passe no açúcar e enfeite com uma passa.

Na dúvida sobre qual colher usar, optei por apenas uma de sopa. É o que normalmente requer o branquinho, então me pareceu razoável. Ok, sou inexperiente. Mas a quantidade de nozes e côco ralado também me soou meio vaga, então usei cerca de duas xícaras para as nozes e um pacote inteiro (100g) de côco. O ‘apurar’ idem, então decidi dar o ponto em fogo médio, exatamente como se faz no doce supracitado.

Funcionou muito bem. Saiu da panela inteirinho, sem deixar rastros. Também segui a dica da Diná, cozinheira-chefe aqui, e enrolei a massa sem untar as mãos, apenas umecendo. É de fato mais fácil, e o doce não corre o risco de ficar com aquela aparência lustrosa. O açúcar ficou a cargo do Diego (já redimido pelo filme), que também tirou as fotos.

Não é nada que se vá contar para os netos, mas é rápida, fácil e diga o povo que quase terminou a bandeja em menos de 24 horas, muito boa.

*Diz na descrição que a comunidade é de receitas veganas, mas mesmo essa leva leite condensado e manteiga e não faz referência aos correspondentes vegan.

Agosto 23, 2007

Observação randômica #1

É costume na minha casa há muitos anos o uso da popular FOLHINHA, aquele calendário com uma imagem de Cristo cujas folhas são destacáveis. Enfim, dei-me conta há apenas alguns dias de como é interessante. Às vezes funciona como uma espécie de feed da lista do Nova Corja de projetos de criação de datas comemorativas. A única diferença é que as datas já foram aprovadas. Por exemplo, descobri agora que hoje é dia do SUPERVISOR EDUCACIONAL.
Go, Congresso!

A frase de hoje também é sensacional:

 ”Muitos jovens se desencaminham porque nunca souberam o caminho certo.”

Frei Anselmo Fracasso

Agosto 15, 2007

The heat is on!

Não sou crítica de teatro (ou mesmo cinema, vide post abaixo). Na verdade, assisti a pouquíssimos espetáculos na vida. Mas, como fã absoluta de Miss Saigon, senti uma espécie de obrigação em comentar a versão brasileira do musical, atualmente em cartaz no Teatro Abril, em São Paulo, que tive o privilégio de conferir há umas duas semanas.

Infelizmente nunca tive a oportunidade de ver o original. Tornei-me fã apenas porque meus pais, em uma viagem a Nova York (saudosos tempos de dólar 1 por 1), encantaram-se com a peça e trouxeram a trilha na bagagem.

Por anos a fio, eu volta e meia escutava o disco. A história, sabia por descrições (altamente imparciais) da minha mãe.

Quando finalmente pisei na Big Apple pela primeira e última vez, uma decepção. Miss Saigon não estava mais em cartaz. Contentei-me com O Fantasma da Ópera, que não me cativou a metade. Má vontade minha, provavelmente.

Estando claro que não posso comparar as duas montagens, limito-me a dizer que a história de Kim, a garota vietnamita que, sem família ou dinheiro, acaba por prostituir-se,  e Chris, o soldado americano que se apaixona (quase) perdidamente por ela, teve um tratamento de primeira por aqui.

Li por aí que foram feitas algumas modificações, além da óbvia da cena do helicóptero (muito bem resolvida com uma projeção - perdoem-me os puristas, mas o tamanho do teatro não justificaria nunca um helicóptero em tamanho real). A história ganhou nova roupagem, o que meu olho incauto obviamente não captou.

Destaca-se a atuação de Marcos Tumura como Engenheiro, o cafetão sem escrúpulos obcecado com o american dream, personagem que, segundo minha mãe, não tem tanto espaço na produção americana. Não importa. Tumura dá vida ao espetáculo, rouba a cena. É um monstro atuando.

A atuação de Cristina Cândido, alternante no papel de Kim, também não deixa a desejar. Lissah Martins foi mais elogiada, aparentemente, mas não posso comentar.

A tradução foi  bem feita, exceto por alguns deslizes (‘moonlight on my bed’ transformada em ‘a lua no jardim’ doeu um bocado). Sempre considerando que, se a tradução já é um problema na literatura, realizá-la nestas condições é ainda mais difícil. De maneira geral, foi competente.

Em suma: eu não compraria o disco, mas aceitei.