Cartaz exposto no Rio de Janeiro
Não, não se trata de uma corrente conservadora da Igreja Católica. MV-BRASIL nada mais é que a sigla para Movimento Pela Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil. Em outra palavras, um grupo ufanista criado em 1999, no Rio de Janeiro, cujo lema é “Resistir é preciso!”.
No nosso tempo, em que o termo “globalização” já é quase vulgar, e poucos são os botecos sem apóstrofe no letreiro, a iniciativa não parece apenas previsível mas compreensível.
Fato é que quando se reúne gente convicta demais, engajada demais, a tendência é que a casa caia. Não sou defensora do relativismo pós-moderno, mas hoje não há mais meio-termo entre apatia e radicalismo. E enquanto o primeiro causa seus próprios estragos, o segundo normalmente leva à ignorância.
O MV-BRASIL, por exemplo, comete erros gravíssimos. Com a sua ação (400 cartazes espalhados em 80 bairros do Rio de Janeiro, mais um manifesto), além de avacalhar completamente um ritual secular, tradicional em outras culturas, confundir o cristianismo imposto com uma característica cultural brasileira, em meio a outros cultos religiosos abafados no país, PORRA!
São só meia dúzia de crianças vestidas de fantasma. Qualquer um que tenha sido criado com enlatado americano (i.e. a maioria) quis fazer isso algum dia.
Preocupante mesmo é passar na rua e ver um bar de nome ALCATRASS*.
* A maioria já foi informada, mas devo avisar que o estabelecimento, no centro de Porto Alegre, logo deve integrar minha rede de rodízio. Serão no total cinco franquias: Alcatrass, Costelass, Maminhass, Picanhass e por fim o top de linha, BABY BEEF (em inglês, mais fino).

3 Comentários
Janeiro 14, 2008 às 11:47 pm
Eu lembro de ter visto isso na PUCRS.
“Na”.
Ao redor da, na verdade.
Naquelas colunas grandes e não gregas da avenidona.
Mas, realmente, atacar o halloween por ele ser “anticristão” é mais do que eu poderia esperar deles. superaram-se. (e o que mais me deixa bleh é que esse tipo de gente tem vez e voz)
te cuida
F.
Janeiro 15, 2008 às 10:11 pm
“confundir o cristianismo imposto com uma característica cultural brasileira”
Perfeita asserção.
Lembrei do Gilberto Gil e cia com o “abaixo a guitarra elétrica”.
Querem mesmo impor convicções e na verdade viram senhores fúteis, tontos literalmente. Senhores iludidos, claro.
Janeiro 21, 2008 às 6:12 pm
tê éfe pê
ergo, stultitia.