Setembro 26, 2009

Web do bem

Como falava outro dia com um professor, a web não pode ser encarada como uma ferramenta usada para o bem ou para o mal quando se trata de comunidades. Ela simplesmente amplifica fenômenos também presentes no “mundo real”, como já dizia nosso amigo Lévy. Caso é, uma comunidade em especial ganhou muito com ela – a de protetores de animais. Ninguém lê isso aqui, até porque eu não escrevo mesmo, mas tem muita gente fazendo um trabalho bacana e eu faço questão de divulgar.

Um exemplo é o Snif Pet. A Vera (Creitchmann, autora) reúne no blog casos de diversos protetores que estão com animais para adoção. Não é uma ONG ou nada do tipo. É só ela mesma que, na mão, divulga todos os pedidos. Outra iniciativa bacana é a da Thiane Nunes, responsável pelo Reino Gato. Como a Vera, ela atua sozinha. Além de divulgar adoções por email, faz bolsinhas e outros artigos fofos para arrecadar dinheiro e manter os animais que recolhe (não são só gatos).

Eu, como protetora preguiçosa – na maior parte do tempo, apenas repasso emails e dou alguma ajuda em dinheiro – admiro muito muito o que elas fazem. Tirando o caso da ALPA, em que ajudei um pouco a melhorar o caos (embora não tenha tido estômago para limpar os canis, calamitosos para dizer o mínimo), normalmente acompanho tudo de longe. Na minha condição de universitária-que-mora-com-os-pais ftw, não tenho merréis ou permissão para manter outro animal que não a minha gata.

E para encerrar, ainda sobre a ALPA. Embora não se tenha mais falado no caso nos últimos meses, os animais ainda precisam de ajuda. Doações, e principalmente trabalho voluntário e adoções (responsáveis). E sabe lá, eu não confio muito quando o dito poder público assume esse tipo de organização. Desvio de dinheiro é quase regra, e é bom ter gente fiscalizando. Esse vídeo explica muito.

Novembro 25, 2008

Monólogo do Povo

“É seu povo que vive de repente porque não sabe o que vem pela frente, então ele costura fantasia, sai fazendo fé na loteria, se apinhando se esgoelando no estádio, bebendo do gargalo, pondo no rádio sua própria tragédia a todo volume, morrendo por amor e por ciúmes e matando por um maço de cigarros, se atirando debaixo de carro”.

Trecho do Monólogo do Povo (Gota d’Água), de Chico Buarque.

Simplesmente foda.

Novembro 25, 2008

Jet’adore

Francisco recém voltara de uma terra inóspita, ao menos para ele. Não era difícil imaginar que não se sentia bem.

Ali, os duros olhos de Fabrizia o faziam recobrar a realidade. Sentia-se até mais ele mesmo, a dor pungente a lhe tomar o fôlego. Sabia que ela nada notava. Entre uma tragada e outra, transparecia apenas um quase espanto. Friamente planejado, era seu escape. Francisco nunca era pego de surpresa.

Encontrara o ex namorado, dissera.

Tudo fazia parte de seus planos, até aquele olhar gelado. Previa, sabia ele. Francisco sabia o ataque derradeiro. Não precisavam mais, não necessitavam mais um ao outro.

Ou apenas ela, mas aquilo não tinha importância.

Francisco ajeitou cuidadosamente o cigarro. Fingiu descaso, quando ela disse adeus.
Voltava a solidão de seu quarto. Aquela, outra, mais uma vez.

Novembro 14, 2008

2008

O pessoal da Noize pediu que eu fizesse uma lista dos melhores discos de 2008, in my humble opinion. O problema é que não sou dada a lançamentos. Na verdade, só comecei a prestar atenção neles depois que entrei na revista, então minha lista seria uma compilação das resenhas que fiz durante o ano.

Demoro até para digerir a idéia de um novo disco, então tudo o que ouvi nos últimos meses pode ser – chuif – considerado velho pela imprensa.

Na minha visão distorcida, estes são os únicos lançamentos que valeram a pena, além do novo do Conor Oberst que ainda não ouvi e sei que é excelente:

1- Amanda Palmer – Who Killed Amanda Palmer

Há quem diga que é Dresden Dolls com outro nome, mas não. É mais introspectivo, o que quer que isso signifique. Recomendo.

2 – Nine Inch Nails – Ghosts I – IV

Finalmente um disco que dá para ouvir lendo. Não atrapalha, ambienta. Lindo, foda e vai virar trilha de jogo.

3 – Raconteurs – Consolers of The Lonely

É o que dá quando Jack White e Brendan Benson trabalham juntos. Eu particularmente acho mais White que Benson, mas isso não é ruim.

4 – Primal Scream – Beautiful Future

Delicinha, pena que virou música de elevador. Ouvi até na central de estágios da faculdade, sério.

5 – Weezer – Red Album

Não é um blue, ou mesmo um green, mas é ótimo. Destaque para “Variations on a Shaker Hymn”, viciante. O cover de “The Weight” também ficou ótimo, embora ninguém tenha notado.

Dito isso, recomendo de olhos fechados:

1 – Brendan Benson – Lapalco e Alternative to Love

Dois discos, porque o homem é foda e o mundo não sabe. Powerpop com beatlesismos e letras bacanas.

2 – Built to Spill – Perfect From Now On

Eis uma banda que eu tinha verdadeiro asco. Todo indiezinho que se prezasse mencionava essa banda, circa 2003. A verdade é que boa mesmo, não tem como explicar.

3 – Delgados – Hate

Quando me recomendaram eu não dei muita bola, confesso. Não façam como eu. “The Drowning Years” explica isso melhor.

4 – Buckcherry – Buckcherry

Rock fucking roll, com os dois pés fincados no hard rock. Para os meninos, é de ouvir tomando uma cerveja e agarrando duas loiras peitudas.

5 – David Bowie – Aladdin Sane

Ok, voltei bastante no tempo agora. Mesmo sendo fã do homem, confesso que não conhecia bem esse aqui. Who will love Aladdin Sane, battle cries and champagne just in time for sunrise?

6 – Morrissey – Vauxhall and I

“Now My Heart is Full” é o hino supremo do descorno, e o disco é ótimo. Aproveito o espaço para dizer que “All You Need is Me”, o single não tão novo, também anuncia um bom disco.

7 – Dresden Dolls – Yes, Virginia…

Amo incondicionalmente, especialmente “Backstabber”. Backstabber! Hope grabber! Greedy little fit haver!
God, I feel for you, fool. Shit lover! Off brusher! Jaded bitter joy crusher! Failure has made you so cruel.

8 – Hellacopters – By the Grace of God

Enérgico, pulante, surtante. Para os meninos, segue o conselho das loiras peitudas.

9 – Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain

Clássico, além de ótimo disco para viagem. Destaque para “Range Life” e “Cut Your Hair”.

10 – Amy Winehouse – Back to Black

Eu tentei evitar, juropordeus. É clichê, todo mundo já ouviu a exaustão. Mas seria injusto demais deixar Amy Winehouse fora dessa lista. Se o disco que comprei não furou, foi por detalhe. Se vale algum destaque, essa não é tão conhecida: “Wake Up Alone”. De chorar agarrada no travesseiro, para as meninas.

Outubro 29, 2008

Francisco

Francisco pedia pouco. Não desejava a felicidade de plástico, os sorrisos entalhados nos rostos, a família do comercial de margarina. Francisco só queria ser normal. Não que tivesse algum problema grave, ao menos não aparentemente. Qualquer um que lhe visse acreditaria que era um cara como os outros. Só ele sabia do sentimento de inadequação, do nervoso de não saber o que fazer com as mãos, com os olhos, com a boca, com aquele monstro que se contorcia ruidosamente dentro dele. O pior era o monstro.

Francisco era feliz. O namoro com Fabrizia, menina de intensos olhos azuis, ainda gozava da graça dos começos. Dava os primeiros passos na carreira, na editoria de política do jornal local. No entanto, ele trocaria instantaneamente toda a felicidade do último mês por segurança. Ao menos naquele ônibus lotado, cujo pânico olfativo voltava agora a revolver-lhe as narinas. A mistura ocre de suor e deo colônia distraía-o um pouco. Ele próprio suava, gotas deslizando pela testa. Toda a segurança do mundo para ficar tanto tempo em meio a tanta gente, pensava.

Francisco olhou para o piso, um de seus passatempos favoritos. Além da vantagem óbvia de evitar os olhares, pela prática podia indicar facilmente quem era quem pelos sapatos. Quem ganhava bem, quem tinha mau gosto. Sapatos dizem muito sobre quem os usa. Distraiu-se por alguns minutos com a brincadeira, até olhar para os próprios pés. Foi só então que ele notou o pequeno guarda-chuva, verde musgo que era outro verde por estar molhado. Encostado na lateral do ônibus, só poderia ter sido esquecido. Apanhou então o curioso objeto, pensando que de fato era muito estranho achar um guarda-chuva. Sempre os perdia, achar era a primeira vez.

Francisco riu. Recostou a cabeça no vidro, agora já mais relaxado. O percurso do trabalho até a sua casa era longo, e o cansaço de noite após noite mal dormida se fazia sentir. Trabalhava desde muito cedo, só passando em casa para trocar de roupa e chegar a faculdade, no final da tarde. O tempo que tinha para estudar de fato era a noite, isso quando não ia a um ou outro bar com os colegas, depois das aulas. Escorregou a cabeça até o apoio do banco, sentindo os olhos pesarem com o sono e o calor. Por fim adormeceu.

Francisco acordou assustado, de um daqueles sonhos que nos despertam alertas. Olhou em volta, para se dar conta de que já era noite fechada. Impossível, ainda mais em pleno horário de verão. Havia dormido tanto assim? Por que o cobrador não lhe acordara, no fim da linha?

Francisco observou mais atentamente. Pelas janelas já não se via mais uma paisagem urbana. O ônibus percorria agora uma estrada de terra muito íngreme. Ele não lembrava de ter passado jamais por um lugar assim com aquele ônibus. No entanto, nenhum dos outros passageiros – ele contava sete – parecia estranhar a situação. Dirigiu-se então ao cobrador, com uma profunda desconfiança de que algo muito errado ocorria ali. O cobrador sorriu cordialmente, como nenhum outro cobrador jamais lhe sorrira.

“O que está acontecendo?”, perguntou Francisco. O homem parecia não entender. Murmurou baixinho, com um meneio de cabeça: “Ahn?”. “O que está acontecendo aqui?”, insistiu. “Aonde estamos, que horas são?”. O cobrador voltou a sorrir. “São nove e vinte, e estamos exatamente onde deveríamos estar”. A resposta enigmática enervou o rapaz. Francisco respirou fundo, voltando a sentir aquele desconforto. Não gostava de falar com estranhos, quiçá pedir informações. Toda vez que as coisas se complicavam, resignava-se. Necessitava de tempo, até possuir energia novamente para o que para ele era uma espécie de provação social.

Francisco voltou ao seu lugar, resolvendo esperar. Logo solucionaria aquilo, pensava. Logo mesmo. A estrada sugeria que estava longe demais, e nisso se pegava meditando sobre como estaria sua família, seus amigos, sua namorada. Estariam já preocupados, perguntando por ele? E as aulas, como faria? Como justificaria as faltas daquela noite?

Francisco tentou segurar a situação por mais um tempo, voltar a dormir. Virou-se de um lado para o outro enquanto o ônibus seguia sem parar. Agarrou-lhe o pânico quando viu que todos os outros já se acomodavam para dormir. Por que ninguém falava nada? Por que agiam como se aquilo fosse natural? Voltou a insistir numa conversa com o cobrador mais uma ou duas vezes, sem sucesso. O homem apenas sorria, daquela maneira que já lhe parecia um pouco demente, e se esquivava com evasivas.

Francisco viu pelas janelas os primeiros raios de sol. Seus companheiros de viagem levantavam pouco a pouco, desgrenhados, limpando a saliva do canto da boca. Não suportava mais aquela situação, já pensava até mesmo em atirar-se do ônibus em movimento. Foi então que ele parou. O rapaz viu, não sem espanto, formar-se então uma pequena fila indiana. Sem hesitar, entrou também nela – não sem antes apanhar o guarda-chuva. Por alguma razão acreditou que seria bom levá-lo.

Francisco desceu do ônibus inquieto. O cenário que avistou foi o de um vale, de um verde vibrante que jamais ele veria de novo. Não importava. Sua mente estava longe demais para apreciar a vista, contemplá-la de fato. Logo estaria de volta a sua casa, logo daria uma explicação lógica para tudo isso. Afoito, buscou o celular nos bolsos das calças. Queria logo dar notícias a família, mas por alguma razão o aparelho estivera sem sinal durante toda a viagem. Olhou a pequena tela. Nada ainda. Só restava caminhar, explorar onde parara aquele ônibus esquisito, buscar qualquer transporte até a cidade – ou ao menos alguém que lhe dissesse onde estava. Os outros passageiros seguiam seu caminho depressa, dispersavam-se por entre caminhos diversos. Nenhum deles parecia ouvir o seu chamado.

Francisco andou, andou, andou. Tudo o que via era o verde da mata, e o sol do meio-dia que já subia alto. Depois de duas horas de caminhada, e quando tudo que via ainda era mato, começou a preocupar-se. Foi então que buscou abrigo numa árvore. Sentado a sombra, acendeu o cigarro. Primeiro de muitas horas, tragou-o sofregamente. Logo avistou as cabanas, tão baixas que não chegavam a sua cintura. Ou assim ele pensou, daquela distância ainda perigosa para um julgamento mais minucioso.

Francisco suspirou, e por fim jogou longe a bagana. O sol lhe incendiava as faces e os braços, mesmo debaixo daquele pinheiro que agora servia de abrigo. Decidido, arrumou a mochila nas costas e rumou para o que agora parecia um povoado, cabanas e mais cabanas surgindo ao passo que se aproximava.
Espreitou a primeira cabana a qual chegou, situada ao lado de um charco. Logo foi recebido por um pequenino homem, que prontamente o cumprimentou no mesmo tom cordial que estranhara no cobrador. “Olá, caro amigo, esta é a terra dos anões”. Então começou a compreender. Não precisara perguntar, a lenda era verdade. De fato os guarda-chuvas conduzem a uma terra estranha. “Olá, meu caro. Tenho muito a lhe perguntar”.

Francisco, exausto da viagem, necessitava um lugar para dormir. O rapaz, até então tímido, aceitou prontamente o convite do anão, que lhe chamava com um aceno para entrar em sua casa. Um lugar curioso, sem dúvida. Toda colorida por dentro, aquela cabana parecia fazer o tempo parar. Lá perdeu a noção das horas, e dormiu um sono profundo. Duas, três, quatro noites, já não sabia mais. Logo esqueceu aquela noite, os pais, os amigos, a namorada, toda a vida que conhecera até então.

Francisco não era mais Francisco, estava entre iguais. O desconforto intermitente desaparecera. Media um metro e oitenta, mas achara o seu lugar.

Nunca um guarda-chuva fora tão útil.

Maio 2, 2008

Brendan quem?

Brendan Benson. Esse aqui, ó.

Ouço, orgasmo e recomendo. O Benson é o que classificamos facilmente como loser. Ele é o segundo frontman do Raconteurs e quase ninguém sabe que a) ele existe, b) tem discos próprios.

Só que poucos losers cometem coisas do nível de Metarie e Jet Lag, e falo de um disco só (Lapalco, 2002).

É power-pop com letras que gritam o óbvio (“I chase around the world / But I never get the girl”). Nada com a qualidade ou dramaticidade do Morrissey, mas mesmo assim. Foda.

Março 11, 2008

Marmita cool

A Julia é uma dessas pessoas que sabem de coisas legais.

Marcas, coisas bacanas, é com ela. E eu costumo ouvi-la. Mesmo que eu não fumasse, se ela me dissesse que Zippos são bons eu compraria um e começaria em dois tempos. Não se trata de falta de personalidade, ela simplesmente sabe das coisas. Pois bem, eis que hoje ela me apresenta a um mundo novo:

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Fotos: e- obento

O nome é obentô.

Nada mais é que a boa e velha marmita. Só que, como os japoneses fazem tudo de uma forma bizarra diferente, a marmita é decorada. Fofa, por assim dizer. É um ritual diário, uma forma de arte. Além disso, segue certas regras para que a refeição seja equilibrada e saudável. Mais explicações aqui.

Ainda não sei se gosto ou tenho medo e fujo, mas é interessante. Pelo jeito faz sucesso por aí, considerado o volume de fotos no Flickr.

Seria bom se virasse moda aqui. Eu poderia levar alguma coisa saudável pra faculdade, ou ao menos comer minha torta ou sanduíche levado de casa sem enfrentar olhares de constrangimento.

Janeiro 16, 2008

Irony of the day

É no mínimo irônico que esse post siga o outro, mas enfim.

Como creio que um blog em português deve conter essencialmente material em português, criei um pequeno arquivo da minha produção de poesia/ prosa em inglês. Aos interessados, o endereço é esse aqui:

http://8linepoem.deviantart.com

Janeiro 14, 2008

Os ufanistas estão chegando

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Cartaz exposto no Rio de Janeiro

Não, não se trata de uma corrente conservadora da Igreja Católica. MV-BRASIL nada mais é que a sigla para Movimento Pela Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil. Em outra palavras, um grupo ufanista criado em 1999, no Rio de Janeiro, cujo lema é “Resistir é preciso!”.

No nosso tempo, em que o termo “globalização” já é quase vulgar, e poucos são os botecos sem apóstrofe no letreiro, a iniciativa não parece apenas previsível mas compreensível.

Fato é que quando se reúne gente convicta demais, engajada demais, a tendência é que a casa caia. Não sou defensora do relativismo pós-moderno, mas hoje não há mais meio-termo entre apatia e radicalismo. E enquanto o primeiro causa seus próprios estragos, o segundo normalmente leva à ignorância.

O MV-BRASIL, por exemplo, comete erros gravíssimos. Com a sua ação (400 cartazes espalhados em 80 bairros do Rio de Janeiro, mais um manifesto), além de avacalhar completamente um ritual secular, tradicional em outras culturas, confundir o cristianismo imposto com uma característica cultural brasileira, em meio a outros cultos religiosos abafados no país, PORRA!

São só meia dúzia de crianças vestidas de fantasma. Qualquer um que tenha sido criado com enlatado americano (i.e. a maioria) quis fazer isso algum dia.

Preocupante mesmo é passar na rua e ver um bar de nome ALCATRASS*.

* A maioria já foi informada, mas devo avisar que o estabelecimento, no centro de Porto Alegre, logo deve integrar minha rede de rodízio. Serão no total cinco franquias: Alcatrass, Costelass, Maminhass, Picanhass e por fim o top de linha, BABY BEEF (em inglês, mais fino).

Janeiro 14, 2008

Dias assim

Alguns dias são assim. Dias de pouco dormir, de muito pensar e de nada entender. Me olho no espelho e não me reconheço; A pele maltratada, as olheiras fundas, os olhos desnorteados buscando alguma razão. Me ponho a buscar minha imagem. Me ponho a rever os erros, a medir meu amor desmedido. Ajeito os cabelos desarrumados, e volto a pô-los em desalinho. São só um reflexo. Me perco em ângulos diversos. Com caretas, busco redescobrir minha verdadeira face.

Os dentes trincados imploram uma escova. As pernas cansadas reclamam descanso. Caminham lerdas na direção de um desabafo. Os dedos doídos selecionam palavras a esmo, editam e falam do mesmo. Porque é a mesma história, em dias assim.