Maio 2, 2008

Brendan quem?

Brendan Benson. Esse aqui, ó.

Ouço, orgasmo e recomendo. O Benson é o que classificamos facilmente como loser. Ele é o segundo frontman do Raconteurs e quase ninguém sabe que a) ele existe, b) tem discos próprios.

Só que poucos losers cometem coisas do nível de Metarie e Jet Lag, e falo de um disco só (Lapalco, 2002).

É power-pop com letras que gritam o óbvio (”I chase around the world / But I never get the girl”). Nada com a qualidade ou dramaticidade do Morrissey, mas mesmo assim. Foda.

Março 11, 2008

Marmita cool

A Julia é uma dessas pessoas que sabem de coisas legais.

Marcas, coisas bacanas, é com ela. E eu costumo ouvi-la. Mesmo que eu não fumasse, se ela me dissesse que Zippos são bons eu compraria um e começaria em dois tempos. Não se trata de falta de personalidade, ela simplesmente sabe das coisas. Pois bem, eis que hoje ela me apresenta a um mundo novo:

20080102-wakame_02061.jpg

20080102-indo_02087.jpg

Fotos: e- obento

O nome é obentô.

Nada mais é que a boa e velha marmita. Só que, como os japoneses fazem tudo de uma forma bizarra diferente, a marmita é decorada. Fofa, por assim dizer. É um ritual diário, uma forma de arte. Além disso, segue certas regras para que a refeição seja equilibrada e saudável. Mais explicações aqui.

Ainda não sei se gosto ou tenho medo e fujo, mas é interessante. Pelo jeito faz sucesso por aí, considerado o volume de fotos no Flickr.

Seria bom se virasse moda aqui. Eu poderia levar alguma coisa saudável pra faculdade, ou ao menos comer minha torta ou sanduíche levado de casa sem enfrentar olhares de constrangimento.

Janeiro 16, 2008

Irony of the day

É no mínimo irônico que esse post siga o outro, mas enfim.

Como creio que um blog em português deve conter essencialmente material em português, criei um pequeno arquivo da minha produção de poesia/ prosa em inglês. Aos interessados, o endereço é esse aqui:

http://8linepoem.deviantart.com

Janeiro 14, 2008

Os ufanistas estão chegando

cartaz_halloween_satanismo.gif

Cartaz exposto no Rio de Janeiro

Não, não se trata de uma corrente conservadora da Igreja Católica. MV-BRASIL nada mais é que a sigla para Movimento Pela Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil. Em outra palavras, um grupo ufanista criado em 1999, no Rio de Janeiro, cujo lema é “Resistir é preciso!”.

No nosso tempo, em que o termo “globalização” já é quase vulgar, e poucos são os botecos sem apóstrofe no letreiro, a iniciativa não parece apenas previsível mas compreensível.

Fato é que quando se reúne gente convicta demais, engajada demais, a tendência é que a casa caia. Não sou defensora do relativismo pós-moderno, mas hoje não há mais meio-termo entre apatia e radicalismo. E enquanto o primeiro causa seus próprios estragos, o segundo normalmente leva à ignorância.

O MV-BRASIL, por exemplo, comete erros gravíssimos. Com a sua ação (400 cartazes espalhados em 80 bairros do Rio de Janeiro, mais um manifesto), além de avacalhar completamente um ritual secular, tradicional em outras culturas, confundir o cristianismo imposto com uma característica cultural brasileira, em meio a outros cultos religiosos abafados no país, PORRA!

São só meia dúzia de crianças vestidas de fantasma. Qualquer um que tenha sido criado com enlatado americano (i.e. a maioria) quis fazer isso algum dia.

Preocupante mesmo é passar na rua e ver um bar de nome ALCATRASS*.

* A maioria já foi informada, mas devo avisar que o estabelecimento, no centro de Porto Alegre, logo deve integrar minha rede de rodízio. Serão no total cinco franquias: Alcatrass, Costelass, Maminhass, Picanhass e por fim o top de linha, BABY BEEF (em inglês, mais fino).

Janeiro 14, 2008

Dias assim

Alguns dias são assim. Dias de pouco dormir, de muito pensar e de nada entender. Me olho no espelho e não me reconheço; A pele maltratada, as olheiras fundas, os olhos desnorteados buscando alguma razão. Me ponho a buscar minha imagem. Me ponho a rever os erros, a medir meu amor desmedido. Ajeito os cabelos desarrumados, e volto a pô-los em desalinho. São só um reflexo. Me perco em ângulos diversos. Com caretas, busco redescobrir minha verdadeira face.

Os dentes trincados imploram uma escova. As pernas cansadas reclamam descanso. Caminham lerdas na direção de um desabafo. Os dedos doídos selecionam palavras a esmo, editam e falam do mesmo. Porque é a mesma história, em dias assim.

Novembro 26, 2007

Oposto

Gosto de te ver irritado. Não com raiva, mas irritado, com aquele riso contido que não quer rir. Gosto de discordar de ti, ser teu oposto. Gosto de te ter ao meu lado. Reclamando de tudo e de nada, contrário a tudo que falo. Gosto de ti assim, tão diferente do que eu sou. Gosto de ti alucinado, bêbado, louco. Por vezes sério e compenetrado, me olhando atravessado caso eu rompa o teu silêncio. Gosto de ti mesmo com medo, mesmo quando não digo por ter feito meu escudo dessa frieza rasa. Gosto de ti mesmo quando me abraça, e desarma. Me rende e me faz amar. Gosto de ti apesar dos receios, apesar do ensejo. Lá longe, além do precipício, eu vejo o mar. Gosto tanto de ti que pondero. Sem ti já pressinto um abismo.

Agora eu vou, senão caio. Agora é tarde, não resta dúvida. Eu preciso me jogar.

Novembro 23, 2007

O melhor (?) blog sobre o nada

Isso aqui está ficando meio Seinfeld demais, mas enfim. Por que essa onda de Legião Urbana agora?

Eu ligo a rádio da Sky, Legião Urbana. Vou beber uma ceva, Legião tocando na jukebox do bar. Entro num táxi, ‘Índios’ começa no rádio. Coé?

Até folheei a biografia do Renato Russo que eu tenho para ver se era o aniversário de morte dele. Não é.

Outubro 23, 2007

A pergunta que não quer calar

Por que diabos a indústria alimentícia insiste em socar carne onde carne não deveria estar?

Hoje, degustando (entre muitas aspas) meu Miojo Cremoso sabor cheddar, lendo a embalagem por pura falta do que fazer, descobri que o tempero tem caldo de galinha na composição. Me digam, POR QUÊ?

A questão já me incomoda há algum tempo, quando fui descobrindo pequenos pedaços de bacon em massas congeladas e sopas de pacote. Quanto às massas congeladas, o caso mais emblemático foi o de um rondelle de mussarela com nozes da Massaiola, da linha SABORES DA NATUREZA. Comprei certa de que se tratava de uma linha vegetariana (nenhuma das embalagens acusava carne explicitamente). Quando pus no prato, descobri três simpáticos pedacinhos da (ram, cof) iguaria flutuando no molho. Depois disso, fui notando ingredientes absolutamente desnecessários em macarrões tipo Miojo. O sabor AO SUGO da PASTA PRONTA, por exemplo, leva um tempero sabor picanha.

Me digam: alguma necessidade, nesses casos, da inclusão de carne?

Não estou pintando a Nissin como uma empresa carnívora do mal que deseja enganar o povo vegetariano inocente, vejam bem. O caldo de galinha consta na composição, é só o vegetariano olhar o rótulo para saber o que está comendo. Não se trata de uma sacanagem como fez o McDonald’s, que anunciou como vegetariano um sanduíche cujo molho contém AROMA NATURAL DE FRANGO. E que não digam que não fizeram, porque VEGGIE sempre foi e sempre será diminutivo de VEGETARIAN. *

Normalmente, eu me dou ao trabalho de conferir rótulo por rótulo - o que costuma ser chato, exaustivo e muitas vezes improdutivo. Muitos ingredientes ainda passam, na maioria dos casos por terem tanto origem vegetal quando animal. SÓ QUE ESTOU DE SACO CHEIO.

Costumo sempre afirmar que o abolicionismo é impraticável no mundo de hoje, que a exploração e o consumo de animais estão fortemente enraizados na cultura, etc. Respeito onívoros, muito embora não concorde com o que fazem, muito embora creia que não tenham o direito de fazê-lo (em tese).

O problema é que ignoram as necessidades dos vegetarianos. A indústria alimentícia, o foco aqui, parece não notar a existência de um grupo hoje bastante significativo. A oferta vem crescendo, como o vegetarianismo, mas é insuficiente.

Já prevejo comentários de que deve ser assim mesmo, que vegetarianos são loucos, bando de bichas, etc. Por aqui minha mãe diz que eu invento moda. Reafirmo: estou longe de ser a única, e as empresas estão perdendo muito dinheiro com esse preconceito. Se não desejam criar linhas específicas, que ao menos não promovam o boicote de seus produtos com esses ingredientes dispensáveis. Eu particularmente deixei de comprar várias coisas.

Acorda Massaiola, acorda Nissin, acorda mundo. Não desisti de virar vegan à toa. Não posso mais afirmar que carne é mais ‘visível’. Por favor, não poluam minha massa, meu queijo, os poucos prazeres que a mesa ainda me oferece.

*PS: Não, o McDonald’s não é um dos meus bodes expiatórios favoritos. Prefiro manter distância desse povo que boicota McDonald’s e Coca Cola, mas bebe Fanta com cachaça e fuma Marlboro em passeata.

ERRATA: O rondelle da Massaiola na verdade é da linha Premium, mas recordo de ter tido a mesma experiência com um produto da Sabores da Natureza. Desconfio que tenha sido o sofiotti, mas não tenho certeza.

Outubro 10, 2007

Goodbye, goodbye

São duas e vinte e cinco da manhã. Há cerca de uma hora louvei a noite de sono longa e sóbria, mais de oito horas, difícil por esses dias. Mas não, não consigo. Acordo com a tua gata me arranhando e mordendo inteira, me chamando de cretina. Nos meus sonhos ela fala, me pede atenção, me acusa de crimes que eu não cometi. Sejamos francos, eu não cometi.

A verdade é que tudo mudou de lugar. Tudo perdeu um pouco de cor e eu, que ria imaginando que isso não tinha fim, vi meu amor sair correndo e bater a porta. Eu, que acreditava que ele nunca iria embora, ficaria ali, quietinho, fumando um cigarro enquanto se acalmava vez ou outra, simplesmente se foi. A verdade é que tu mandaste ele embora. Senhor da nossa história, foste tu o responsável. Eu só observei, num desespero lento, ele decidir dar o fora.  Ele já não agüentava mais. Já se roía de agonia, de amargura, de fome poucas vezes saciada. Eu, que tantas vezes me perguntei se tu eras a pior ou a melhor coisa que já tinha me acontecido, finalmente tive certeza.

Depois que ele se foi sobrou muito pouco, quase nada. Uma dorzinha no peito, uma saudade ligeira, uma vontade de sumir. O Vazio foi chegando devagar, pedindo espaço e eu deixei. Abri a porta pra ele entrar, servi uma cerveja e ele resolveu ficar. Não é um bom hóspede. Faz barulho demais, não me deixa dormir, não me deixa esquecer que eu já conheci uma vida da qual ele não fazia parte. Não me deixa esquecer que outro ocupava o seu lugar. É ciumento, o Vazio.

De qualquer forma, já me acostumei a a ele. De vez em quando grito, imploro que cale a boca, e ele pára. Continua ali, mas não fala. Não por muito tempo. Ele sabe que daqui a pouco vai embora, e então se inquieta. Sabe que está perdendo espaço. Outro Amor bate à minha porta, e eu preciso atendê-lo. Não posso deixar que vá embora. Não posso deixar que canse de me esperar, dessa vez inteira.

Já são quatro horas. Escrevo-te apenas por esse costume, essa tradição mórbida de falar qualquer coisa que me passe pela cabeça. Perdoa a falta de objetividade, mas são apenas memórias. Dispensam clareza, meio ou mensagem. A bem da verdade, nosso fim reside no silêncio. Então adeus, querido, adeus para não dizer.

A madrugada já vai longe, e eu também.

Outubro 10, 2007

Um momento, por favor

Estaremos interrompendo (gerúndio, acho digno) a programação normal, ou a falta dela, para um serviço de utilidade pública. Melhor dizendo, uma descaradíssima pagação de pau. Melhor ainda, um apelo. Ouçam este homem.

124692528_f4f984e941.jpg
Connor Oberst, gênio.

Sim, ouvi o Cassadaga meses após ter feito o download. Arrependo-me profundamente.